domingo, 27 de julho de 2008

O Dilema da Escova de Dentes

estranho como as vezes nos contentamos com coisas simples. não, não, não estou falando de conformismo, talvez em outra ocasião? mas estou falando da minha escova de dentes. é aqui que você se pergunta "WTF?", calma, calma, eu explico: eu sempre usei escovas boas, não aquelas modernosas que giravam e vibravam, mas sempre usei umas boas, tipo aquela com negócio de limpar lingua e tals. de alguns anos pra cá eu comecei a comprar escovas "médias", aquela mais dura que o normal, porque assim eu sentia meus dentes mais limpos. acho que era mais psicológico até, porque todos me diziam para não usá-la porque machuca minha gengiva, mas eu continuei com elas. porém com o tempo eu comecei a cobrar mais e mais delas, fazendo elas durarem cada vez menos. há pouco tempo coloquei aparelho em meus dentes (de novo, não me perguntem por quê), e assim vi minha escova média ir embora em um mês. ok, aquilo era o auge, não podia mais conviver com isso. consegui enrolar ela ainda durante algumas semanas, até que, por acidente ou destino, a mesma caiu na privada. aqui eu abro um parênteses, metafórico, não de verdade, para salientar o que sinto quando minha escova cai na privada, você se sente totalmente sem poder, a única coisa que você tem a fazer é assisti-la cair. fecha parênteses. como eu me encontrava em uma cidade praiana, fui a farmácia mais próxima para comprar uma escova nova. chegando lá e vendo que não tinha nenhuma das escovas que eu costumava usar, resolvi radicalizar e comprei a mais barata que tinha. Média na dureza e curta no tamanho do cabo e rosa. ROSA. chegando em casa, fui alvo de chacota, me ofereceram pra voltar lá e trocar, comprar outra, mas eu não podia abandonar ela assim sem ao menos testá-la. E lá fui eu escovar meus dentes. foi ótimo. era tudo que eu precisava, supria minhas necessidades físicas e psicologicas. estava limpo e me sentia limpo. e me mantive com ela até... ontem. esqueci ela na casa da minha namorada. como não a vi hoje, fui obrigado a comprar outra. não achei igual. comprei outra vagabunda na esperança de ter a mesma sensação. ainda não tive coragem de testá-la. vou testá-la antes de dormir. ou não vou dormir para não ter que testá-la. eu nunca conseguiria dormir sem escovar meus dentes. esse é meu dilema: trair minha escova que tanto me agrada ou não dormir pra sempre (ou até que ela volte)?. quem diria que tão pouco me prenderia tanto...

esse texto tem uma interpretação filosófica para sua vida, juro. por mais que ela só exista na minha cabeça, pois não consegui expô-la. se esforcem mais do que eu para achá-la. no mais, é bom voltar a escrever.

Toscano, o da Higiene Bucal.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Pois é...

Eu estava aqui ouvindo Pierrot Lunaire, do Schöenberg... ouvindo aquelas fugas e cânones tocados ao contrário em meio a sangue, missa onde a pessoa se serve como hóstia, violações de túmulos, olhos de esmeraldas, tudo traduzido do francês para o alemão (e depois para as notas musicais) me veio uma nostalgia, aquela girisa que vem no fígado quando você sente saudade, e... meus amigos, eu estou lunático de saudade da Delirium Tremens.
Eu amo vocês!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Alvo sonhífero

A Marra Signoreli

Parabéns, você está feio.
E as nuvens, as estrelas, os céus arranhado pelos prédios,
E as moças a entreolharem nos vazios, nada mais importa
Nada, você está feio.

Um córrego passando pelos esgotos lhe compõe entre a felicidade,
Toda a felicidade só pode ser felicidade por não ser eterna,
E nada mais além de um córrego passando pelas mãos das pessoas
E a felicidade da cidade,
Mas onde está agora que nada disso lhe é completo?
A mesma escuridão de um quarto onde fico, lhe observo com inúteis lamúrias,
Em cada lágrima a luz, a lúcula luzida dos lábios da lágrima, e tudo vai como um córrego
E tudo passa com a mesma sombra de pássaro compondo a existência incompleta das coisas...

Cortou o cabelo,
Não fica bonito de cabelo cortado...
Toda a vida como um milagre surgindo através do nada além de inúmeras janelas de casas inúmeras e você não fica bonito de cabelo cortado...
Milhares de obras sendo compostas nesta capital obscura e você não fica bonito de cabelo cortado...
Para ficar bonito de cabelo cortado você precisa mais que mudar o rosto,
É preciso antes ser de metal,
Abandonar a condição humana dizendo que você não fica bonito de cabelo cortado,
Até estar longe de você a angústia, o amor, o ódio, o nome, o vazio, a escuridão e a luz, o metafísico e o imaginário além dos fios de cabelo cortado...
Mas é impossível estar longe você de tudo isso, pois então não seria você,
Poderia cortar o cabelo, queimar o rosto, arrancar o coração, quebrar as pernas, parar os olhos e cegar os pelos do nariz que você é.
E está apaixonado, angustiado, com medo, com ódio, com fome, com sede, com febre, como sempre esteve, mas agora você está feio e de cabelo cortado...

Quem é você quando anda na rua enfrentando o olhar feliz das sombras do nada?
É, pois nada existe atrás de você,
Só começando a existir a partir de seus olhos o que está atrás de você lhe olha,
Mas não é nada,
Quando o nada passa lentamente com seu som automotivo em seus ouvidos, você ouve as sombras do nada e está feio...
A típica tortura das tartarugas: lembrar lentamente da feiúra dos cascos...
A adolescência...
Um fiasco como adolescente andando a procura de uma floricultura,
Problemático, vai andando sozinho a conversar com os seres inexistentes para os que dizem existir...
(A problemática da existência é presente quando se vai em busca de flores)
Nunca este fiasco teve tamanha diversão em toda a sua vida,
Compra uma rosa, quem iria querer receber esta rosa?
Mal sabe que a rosa comprada se perdeu nos ponteiros de um relógio de pêndulo e lá ficou
Fluindo nos fantasmas de festim em cada segundo, flor física do deixado...
Não, não há pessoa na rua que queira receber esta rosa...
Nem pessoa conhecida, na agenda, e poderia procurar
Jogar a rosa num lago eletrônico e por fios e ondas e satélites ser transmitida a rosa por entre computadores modernos
E a rosa nunca sairá do velho relógio de pêndulo...

Mas ainda é jovem, tem tempo,
Tem tempo para aceitar as coisas e deixar os sonhos para o plausível,
Tem tempo para deixar de se apaixonar e deixar de comprar rosas
E deixar os vícios para dar margem a vícios mais sofisticados,
O cabelo vai crescer, tem tempo para desistir disso ou não se importar mais com isso...
Tem tempo para quando o tempo acabar ser o idoso infante de uma antiga pavana
Enquanto todos sãos os defuntos vivos desta mesma pavana citada...

Ou talvez seja sempre o fiasco de um adolescente que está feio e de cabelo cortado,
E que compra rosas e é torturado pelo nada
E as vozes da imaginação sempre cantem em coro no córrego de suas ondas nervosas
Acabando nos fios e ondas de satélite
E nos olhos da fome ficar flutuando em sede, com ódio e apaixonado
Naquele relógio de pêndulo achar a rosa comprada e perdida antes
Que fique hipnotizado pelos pés harmônicos da existência...

Pássaro de Argila

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Comentário Catedrático

Eu, às vezes (como sempre, às vezes), não acredito que as coisas mudem, num sentido figurativo, apesar de acreditar naquele eterno devir e tal, mas as coisas não mudam sob um ponto de vista geral delas.

O que quero dizer, é que na verdade temos a impressão de que algo muda, como um todo, mas isso é uma ilusão (sim, sim é). O que realmente está em constante mudança são as partículas infinitesimalmente (meu deus, isso exite?) pequenas ( acho que isso também se aplica a coisas abstratas, como a existência). Como cada uma dessas partículas muda de forma independente da outra temos uma imagem geral, mas que na verdade em si é estática.

Uma televisão a cores, sendo vista de perto.

Atenciouzlyy,
Flvio Putz Nada A Ver

post.s:Perdoa aí se você achou isso completamente absurdo ou completamente óbvio ou completamente estúpido

post.s2: Perdoa também eu ter escolhido um assunto desses e falado desse jeito

post.s3:Perdoa também a morte da bezerra

p.s: I love you auhauhauha

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Você pode achar um quarteto de cordas um tédio e eu nunca vi graça em helicópteros, mas juntando as duas coisas... hm...

Este vídeo é o Helicopter String Quartet de Karlheinz Stockhausen (1928 - 2007):






Vou ficar fora o ano novo, vou a Salvador e só vou voltar dia 16, então até lá!

Obrigado pela atenção ao vídeo,
Marra Signoreli, o chato.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

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que ironia eu estar encarregado do post de natal. eu encarregado de falar sobre o nascimento daquele que eu nego, ou alguma coisa assim. o que é o natal pra mim? é a reunião da minha família. sério. acho que é a única data que todos se reúnem, e é a única data que eu vou lá na casa dos meus avós por parte de pai. e esse ano vai ser diferente: meu irmão está na inglaterra e meus avós paternos estão viajando. que merda. a única data que vejo todos e esse ano, não verei todos aqui. fraternidade, harmonia, isso não são valores exclusivos cristãos! eu não preciso crer pra festejar! acho que todos sabem o quão cético eu sou, mas juro que comemoraria o natal com meus filhos sem problema algum. por que ele sempre foi importante pra mim. época de ganhar (e mais recentemente também dar) presentes, eu esperava o ano inteiro pra isso, pro jantar depois da troca de presentes, praqueles minutos em que todos riam e se divertiam, fazendo as mesmas piadas repetidas todos os anos, esquecendo das brigas de sempre pra poderem lembrar depois de amanhã. e não foram ideários cristãos que me proporcionaram isso. não foi o nascimento de um menino que faz o natal tão importante pra mim. talvez seja importante pra muitos daqueles que fazem meu natal tão legal, mas não pra mim. são eles, cada um deles que são eles mesmos por um breve intervalo de tempo, sem discussões, sem rixas, sem tristeza. e quando choram, choram por felicidade, essa mesma que eu sinto ao ver todo mundo reunido, todos juntos, todos felizes (nem que seja por um momento). eu acredito que felicidade é momentânea, então procuro aproveitar ao máximo as que tenho (mas isso é assunto pra outro post), e essa é a única que eu espero o ano todo pra acontecer. ainda hoje eu espero por ela, e quero que hoje seja como sempre foi, mesmo sem o lucas, mesmo sem almoço na casa dos avós, ainda quero me divertir, ainda quero sentir essa união. ainda quero ser feliz.

desejando um feliz natal a todos,

Toscano, o Emocionado.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Um vídeo que montei.

este vídeo está pronto há alguns meses, mas devido a alguns problemas com computador e internet, só agora consegui publicá-lo. espero que se divirtam o mesmo que me diverti ao fazê-lo!



agradecido pela atenção,

Toscano, o Ocioso.